Favela como Centro de Conhecimento: Jacarezinho Sedia o 6º Encontro Formativo em Letramento Racial Por Lucas Sporques | Gestor de Comunicação – Aquilomba HUB Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026 RIO DE JANEIRO (RJ) — Neste sábado, 15 de agosto de 2026, o território do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebe o 6º Encontro Formativo em Letramento Racial. Com o tema “Jacarezinho: Memória, Reparação e Políticas Públicas para Vidas, Infâncias e Territórios Negros”, o evento é promovido pelo projeto Aquilomba Hub em parceria com o coletivo Ocuparte Jaca.A iniciativa propõe reconhecer a favela não apenas como local de realização, mas como polo produtor de conhecimento, memória e formulação de políticas públicas. A programação integra eixos teóricos, rodas de conversa comunitárias, oficinas práticas e atrações da cultura urbana. Metodologia Ocuparte e Eixos Centrais O encontro adota os princípios da Metodologia Ocuparte Jaca, fundamentada no diálogo horizontal (inspirado nos Círculos de Cultura de Paulo Freire), no uso da cultura como ferramenta de saúde coletiva e no conceito “Nós por Nós”, priorizando mobilizadores, artistas e moradores do próprio território. Formação, Oficinas e Ações Comunitárias Em paralelo às mesas de debates e escuta comunitária, o espaço receberá diversas oficinas práticas gratuitas voltadas à formação artística, ambiental e de estilo: Graffiti (Letra Bomb): Facilitada por Cacá Graffiti (Muro): Facilitada por Soucer (FNR) Escrita Criativa: Facilitada por Biskuit + Trilhos Moda: Facilitada por Wallace Horta Urbana: Facilitada por Tupã Breaking, Passinho e Cypher: Facilitada por Dressa, Speed, Pit e PretchakaO projeto comunitário Rap Sem Fome atuará na distribuição de refeições para crianças, jovens e equipe de produção ao longo do dia, reforçando o caráter de acolhimento e garantia de direitos básicos durante a ação. Programação Geral das Atividades A estrutura operacional e artística foi planejada para abarcar desde o acolhimento matutino até as apresentações culturais do período noturno. Serviço Evento: 6º Encontro Formativo em Letramento Racial – JacarezinhoData: 15 de agosto de 2026 (Sábado)Horário: A partir das 10h (Atividades Formativas) | Das 07h às 00h (Operação Geral e Programação Cultural)Local: Jacarezinho — Zona Norte, Rio de Janeiro (RJ)Entrada: GratuitaRealização: Aquilomba Hub e Ocuparte Jaca FICHA TÉCNICA E REALIZAÇÃO Realização: Projeto Aquilomba HUB (MIR/IFG) Parceria: OcuparteJaca Apoio Institucional: Instituto Federal de Goiás (IFG), FUNTEC e Instituto Usina Social (IUS) aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
Teresópolis recebe encontro sobre memória, território e políticas públicas de igualdade racial
Teresópolis recebe encontro sobre memória, território e políticas públicas de igualdade racial Por Lucas Sporques | Gestor de Comunicação – Aquilomba HUB Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026 Teresópolis recebe, nesta sexta-feira, 14 de agosto, o 5º Encontro Formativo em Letramento Racial – Reparação, Memória e Políticas Públicas de Igualdade Racial, iniciativa do Aquilomba HUB, realizada em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR). O encontro será realizado das 10h às 16h, na Sala de Multimídia 2 da UNIFESO, reunindo representantes do poder público, instituições de ensino e sociedade civil.A programação propõe um espaço de formação e debate sobre as relações étnico-raciais a partir das experiências e dos saberes construídos no território de Teresópolis. Entre os temas centrais estão a preservação da memória negra, as tradições ancestrais, a cultura popular e os caminhos para o fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial.A programação será organizada em três mesas temáticas. A primeira, dedicada à memória e ancestralidade, terá como eixo “Vale da Revolta: memórias negras, ancestrais e territórios de resistência”. Participam Delmo Geraldo Ferreira, professor, escritor, conferencista e presidente da Academia Teresopolitana de Letras, com trajetória de cinco décadas ligada à preservação das tradições afroindígenas; Helvio Reis Peclat, doutor em Sociologia, professor da Seeduc e da Faetec e pesquisador; e Nazareth Anacleto da Fonseca, a Vovó Nazareth, matriarca, griô, agricultora e jongueira de tradição, ligada ao Centro Sociocultural Quilombo da Serra. A segunda mesa abordará a memória como instrumento de valorização da identidade e da cultura negra. Entre os participantes está Carla Patrícia Vasconcelos Seixas, educadora antirracista, professora da Rede Municipal de Teresópolis e coordenadora de Equidade Racial e Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação. Também participa Adalcy Serafim de Lima, o Mestre Bimbinho, percussionista, professor, alabê no candomblé, fundador do Grupo Quintal do Céu e mestre do Jongo do Quilombo da Serra dos Órgãos.Já a terceira mesa será dedicada às políticas públicas de igualdade racial, com o tema “Território, cultura e direitos: caminhos para uma política pública antirracista”. A discussão contará com Isabela Cristine de Oliveira Correia (Isabela Oliveira), artista transdisciplinar, diretora de Comunicação do Centro Sociocultural Quilombo da Serra e integrante das ações de salvaguarda e disseminação do Jongo do Quilombo da Serra dos Órgãos; Márcio Ferreira, jornalista, escritor, pesquisador, professor, mestre e doutorando em Sociologia Política pelo IUPERJ/UCAM; e Victor Santos da Silva, o Vitor Ponto de Luz, representante da sociedade civil.Mais do que uma agenda de formação, o encontro pretende aproximar conhecimento acadêmico, saberes tradicionais e experiências comunitárias, colocando em debate os desafios e as possibilidades de construção de políticas públicas que considerem as especificidades da população negra e dos territórios.A realização em Teresópolis também destaca a importância de reconhecer a contribuição de mestres, pesquisadores, educadores, artistas, lideranças religiosas e agentes culturais para a preservação da história e das tradições negras na Região Serrana do Rio de Janeiro. O 5º Encontro Formativo em Letramento Racial integra as ações do Aquilomba HUB, projeto voltado à formação territorial, valorização das epistemologias negras, reparação histórica e fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial. SERVIÇO 5º Encontro Formativo em Letramento Racial – Reparação, Memória e Políticas Públicas de Igualdade Racial 📅 14 de agosto de 2026 (sexta-feira)⏰ 10h às 16h📍 Sala de Multimídia 2 – UNIFESO, Teresópolis (RJ) Realização: Aquilomba HUB e Ministério da Igualdade Racial (MIR)Parcerias: UNIFESO, Centro Cultural Feso Pro Arte e Academia da Cultura Popular de Teresópolis. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
Aquilomba HUB ocupa a 24ª FLIP com Seminário Nacional sobre Literatura Preta, Reparação e Políticas Públicas de Igualdade Racial
Aquilomba HUB ocupa a 24ª FLIP com Seminário Nacional sobre Literatura Preta, Reparação e Políticas Públicas de Igualdade Racial Por Lucas Sporques | Gestor de Comunicação – Aquilomba HUB Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 PARATY (RJ) — Entre os dias 23 e 24 de julho, Paraty (RJ) tornou-se o epicentro de intensos debates sobre literatura, território e democracia. Durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), o Aquilomba HUB — em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a Casa Poéticas Negras — realizou o Seminário Nacional: Reparação, Memória e Políticas Públicas de Igualdade Racial. Com o objetivo de posicionar a literatura preta não apenas como manifestação artística, mas como ferramenta estratégica de formação cidadã, o seminário transformou a produção intelectual negra em fio condutor para pensar o enfrentamento ao racismo estrutural e o fortalecimento de redes de cooperação interfederativas e comunitárias. Diálogos Institucionais e Abertura Oficial A mesa de abertura, realizada no final da tarde de quinta-feira (23), reuniu lideranças governamentais, acadêmicas e representantes territoriais. O debate inicial ressaltou a urgência de articular a produção literária negra com a formulação de agendas públicas sustentáveis. A cerimônia contou com contribuições expressivas de representantes do Ministério da Igualdade Racial, como Ronaldo dos Santos (Secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiro e Ciganos) e Tiago Santana (Secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo). Também integraram a mesa Andressa Marques (Coordenadora-Geral do Plano Nacional do Livro e Leitura do MinC/SEFLI), a reitora do IFG, Oneida Cristina Irigon, Iana Moreira (Superintendente Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro) e Tharso Vicente Fernandes Ferreira (Agente Territorial de Igualdade Racial e integrante do IDPN). A articulação regional fortaleceu-se ainda com a presença de gestores das áreas de cultura, igualdade racial e direitos humanos das prefeituras da Costa Verde e Sul Fluminense, incluindo Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí. A Literatura como Instrumento Pedagógico e Letramento Racial A programação de sexta-feira (24) começou com o espaço Café com Livros, momento dedicado à roda de conversa, trocas de saberes e sessões de autógrafos. A atividade aproximou educadores, estudantes, escritores e movimentos sociais em torno da literatura preta como recurso indispensável para o cumprimento da Lei nº 10.639/2003 e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas. Os Eixos Temáticos: Cidade, Centenário de Milton Santos e Futuro Ao longo do dia 24, as mesas temáticas desdobraram os três eixos estruturantes do projeto: 1. MESA 1: REPARAÇÃO — Igualdade Racial, Direito à Cidade e CulturaSob a mediação da Casa Poéticas Negras, os convidados Eloá de Moraes (MIR), a Profa. Caroline Rocha dos Santos (UFF/EAR), Marcus Galina e Julinho da Glória discutiram o acesso democratizado ao território e aos bens culturais. A mesa reiterou que reparar as perdas históricas da população negra exige o reconhecimento do direito à cidade, ao patrimônio e às expressões afro-brasileiras como pilares da justiça social e da cidadania plena. 2. MESA 2: MEMÓRIA — Milton Santos – 100 Anos: O Território EnsinaEm celebração ao centenário do geógrafo e intelectual Milton Santos, a segunda mesa promoveu uma profunda reflexão sobre o conceito de território como espaço vivo de cidadania, memória e produção de epistemologias. Com mediação de Eduardo Nascimento (Projeto Aquilomba HUB) e participações de Billy Malachias e Indira Alves (FIOCRUZ), o debate reafirmou a premissa da Metodologia Aquilomba: os territórios periféricos, quilombolas e tradicionais não são meros receptores, mas agentes ativos na formulação de saberes e soluções para o desenvolvimento do país. 3. MESA 3: POLÍTICAS PÚBLICAS DE IGUALDADE RACIAL — Caminhos para a Transformação do BrasilO encerramento do Seminário reuniu a ministra Anielle Franco, a deputada Benedita da Silva e a escritora Leda Martins, com saudação institucional de Tiago Santana (MIR). A mesa final sistematizou os avanços, gargalos e horizontes das políticas de igualdade racial no Brasil, ressaltando o papel da participação popular e da representação política para a consolidação democrática. Desdobramentos e Impacto Territorial Fundamentado na Metodologia Aquilomba de Formação Territorial, o Seminário Nacional reafirma o compromisso do Aquilomba HUB em articular ações que combinam letramento racial, fortalecimento institucional e escuta qualificada dos territórios. A passagem do Aquilomba HUB pela FLIP 2026 consolida a literatura negra como elemento central no debate sobre reparação e políticas públicas, ecoando a máxima que orienta as ações do coletivo: aquilombar é reconhecer memórias, fortalecer comunidades e construir futuros com justiça racial. FICHA TÉCNICA E REALIZAÇÃO Realização: Projeto Aquilomba HUB (MIR/IFG) Parceria: Ministério da Igualdade Racial (MIR) e Casa Poéticas Negras Apoio Institucional: Instituto Federal de Goiás (IFG) e Ministério da Cultura (MinC) aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
4º Encontro Formativo em Letramento Racial reúne 450 lideranças no Vale do Café em dia de celebração à memória negra e lutas por reparação
MEMÓRIA, REPARAÇÃO E ANCESTRALIDADE: 4º ENCONTRO FORMATIVO EM LETRAMENTO RACIAL TRANSFORMA O VALE DO CAFÉ EM POLO DE RESISTÊNCIA E POLÍTICAS PÚBLICAS Por: Lucas Sporques | Gestor de Comunicação – Aquilomba HUB Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 O Parque das Ruínas de Pinheiral, antiga sede da Fazenda São José dos Pinheiros — espaço que no século XIX aprisionou mais de três mil pessoas escravizadas —, tornou-se o epicentro de um movimento de ressignificação histórica, formação e celebração da vida. No último sábado (25 de julho de 2026), o local recebeu o 4º Encontro Formativo em Letramento Racial, promovido pelo Projeto Aquilomba HUB em parceria com a Associação das Comunidades Jongueiras do Vale do Café – RJ. O evento ocorreu de forma integrada à programação oficial do 5º Encontro de Jongos do Vale do Café, reunindo cerca de 450 lideranças quilombolas provenientes de 18 comunidades e quilombos dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A convergência entre o encontro formativo e a festividade tradicional transformou o território em uma arena de escuta qualificada, formação antirracista e incidência política. Diálogo, Reparação e Direitos Territoriais Articulado a partir do tema “Letramento Racial, Memória, Patrimônio Cultural e Políticas Públicas: caminhos para a reparação histórica e a transformação dos territórios”, o encontro estruturou suas reflexões em três eixos centrais: Reparação, Memória e Políticas Públicas de Igualdade. As mesas temáticas promoveram o diálogo direto entre representantes dos movimentos sociais, pesquisadores acadêmicos, mestres da cultura popular e gestores do poder público. A metodologia garantiu espaço para a participação popular ativa, permitindo que as demandas locais e o conhecimento comunitário orientassem os debates sobre a garantia de direitos e o combate ao racismo estrutural.”A proposta reconhece o território como espaço de produção de conhecimento, memória, cultura e resistência. O enfrentamento ao racismo estrutural exige processos permanentes de formação, escuta qualificada e construção coletiva.” “Compreendemos que o enfrentamento ao racismo estrutural exige processos permanentes de formação, escuta qualificada e construção coletiva. Construir políticas públicas efetivas passa, necessariamente, por ouvir quem mantém viva a história do nosso povo nos territórios” Eduardo Nascimento Coordenador Executivo – Aquilomba HUB 70 Anos de Mestra Fatinha: A celebração de uma matriarca viva Um dos momentos de maior emoção foi a homenagem prestada pelos 70 anos de vida e 50 de militância da Mestra Fatinha do Jongo de Pinheiral. Guardiã incansável da tradição jongueira no Sul Fluminense, Fatinha foi agraciada recentemente com o título de Notório Saber pela Universidade Federal Fluminense (UFF), reconhecendo formalmente uma trajetória que transformou o Jongo em ferramenta de educação e articulação comunitária. A celebração da sua vida reafirma o compromisso pedagógico do encontro em reconhecer que a memória negra não reside apenas em arquivos e livros, mas na corporeidade, nos cantos e na sabedoria transmitida pelos mestres da cultura popular. O Jongo como Tecnologia Ancestral e Patrimônio Vivo Reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil e frequentemente chamado de “pai do samba”, o jongo é uma dança de roda de matriz angolana trazida ao Brasil pelos povos bantu. A celebração do evento coincidiu com o Dia Estadual do Jongo e o Dia de Sant’Ana — matriarca sincretizada com as pretas-velhas na tradição local. A programação estendeu-se com o toque dos tambores de 18 grupos jongueiros — vindos de locais como Morro da Serrinha, Quilombo São José, Quissamã, Guaratinguetá e Campinas —, a Bênção da Fogueira e um grande encerramento ao som da sambista Margareth Mendes, a Negona do Axé. Além do impacto sociocultural, a organização pontuou que a realização do encontro aquece a economia do Vale do Café, movimentando a rede hoteleira e o comércio local através do fomento ao turismo étnico e cultural, articulado pelo Circuito Afro do Vale do Café. Desdobramentos e Impacto O 4º Encontro Formativo integra uma agenda mais ampla que prevê ao todo 10 Encontros Formativos e 2 Seminários Nacionais, consolidando uma rede de agentes multiplicadores de educação antirracista por todo o país. Ao encerramento das atividades, ficou evidente que as reflexões produzidas em Pinheiral continuarão ressoando. Como sintetiza a Metodologia Aquilomba: aquilombar é reconhecer memórias, fortalecer comunidades e construir futuros com justiça racial. FICHA TÉCNICA E PARCERIAS Realização: Projeto Aquilomba HUB Parceria e Organização Local: Jongo de Pinheiral, Associação das Comunidades Jongueiras do Vale do Café, Rede de Jongo do Vale do Café, CREASF, Instituto Floresta e Rede de Patrimônio Imaterial do Estado do RJ. Apoio Institucional: Prefeitura Municipal de Pinheiral, Ministério da Igualdade Racial, Ministério da Justiça (Pronasci) e Museu Vassouras. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
Leão Etíope do Méier transforma a Praça Agripino Grieco em arena de debates, memória e samba na Zona Norte
Leão Etíope do Méier e Aquilomba HUB transformam a Praça Agripino Grieco em arena de debates, memória e samba na Zona Norte Oito anos e meio após a fundação do coletivo, ocupação cultural promoveu o lançamento da autobiografia do griô Nei Lopes, debate com lideranças intelectuais e rodas de manifestações populares na rua. Por Lucas Sporques, Rio de Janeiro, 21de julho de 2026 A Praça Agripino Grieco, tradicional ponto de passagem no coração do Méier, voltou a ser o epicentro da resistência e do efervescer cultural do subúrbio carioca no último sábado (18). Em mais uma edição de sua programação gratuita e aberta, o coletivo Leão Etíope do Méier reuniu centenas de pessoas em um encontro marcante que aliou o lançamento literário da autobiografia de Nei Lopes a debates sobre negritude, cidadania e a celebração das artes populares.Criado em janeiro de 2014 pelo produtor cultural Pedro Rajão, o movimento nasceu para descentralizar a agenda cultural da cidade, historicamente concentrada na Zona Sul e no Centro, reafirmando o espaço público como local de aprendizado e vivência coletiva. Cultura, negritude e espaço público no centro do debate O ponto alto da tarde foi a mesa de abertura, promovida com patrocínio do Aquilomba Hub e mediação de Edu Nascimento e Tiago Santana. O painel reuniu figuras proeminentes da intelectualidade e do ativismo negro brasileira para debater história, memória e a importância da ocupação dos espaços urbanos. Durante sua intervenção, o pesquisador Spirito Santo chamou a atenção para as desigualdades sociais e a violência que afetam a população negra no país: “A questão racial no Brasil é levada como uma barbárie, com violência. São dezenas de pessoas assassinadas em uma única noite. Precisamos melhorar esse desequilíbrio entre pessoas negras que ascendem socialmente e a outra ponta, que ficam à margem da sociedade. Ou seja, a necessidade de uma defesa concreta e real dessa grande parcela da sociedade.” Spirito Santo Músico e Escritor. Doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ( A historiadora e curadora Raquel Barreto destacou o valor simbólico de promover discussões de alto nível intelectual na praça pública: “A iniciativa é muito interessante, pois estamos no subúrbio do Rio de Janeiro, talvez no coração do subúrbio, em uma praça pública, discutindo cultura, sociedade e negritude, tendo como base homenagear a figura de Nei Lopes (…) Iniciativas como essa são super importantes para trazerem para os espaços públicos discussões como essas.” Raquel Barreto Historiadora e Curadora-Chefe do Museu de Arte Moderna | MAM-Rio Ao centro das atenções da noite, o escritor, sambista e filólogo Nei Lopes celebrou o reencontro com o público da Zona Norte, 11 anos após sua primeira visita à praça-sala de aula do Méier, e o lançamento do livro “O ‘robusto’ Menino de Irajá”: “Tô muito feliz com toda essa tamanha discussão de peso e muito feliz pela devida homenagem. Uma noite de discussões importantes, lembranças boas e energia singular.” Nei Lopes Homenageado, compositor, cantor, escritor e estudioso das culturas africanas, no continente de origem e na diáspora africana. Artes visuais e ritmos que marcam o território Além do campo das ideias, as artes visuais ganharam lugar de destaque com a exposição “Cria do subúrbio: onde se faz o caminho”, da artista Nathalia Valério. A mostra apresentou obras que retrataram a afetividade dos quintais suburbanos, a tradição das ruas pintadas em época de Copa do Mundo, a magia dos bate-bolas e o ritmo das rodas de samba — compondo uma narrativa visual sobre a identidade local contada por quem a vivencia no dia a dia.A programação musical começou com o DJ Set de Gustavo Keno, seguido pela tradição religiosa e festiva da Folia de Reis Sagrada Estrela do Oriente. A noite encerrou-se em clima de celebração com a Roda de Samba comandada pelo cantor e compositor Moyseis Marques, com participação especial da cantora e multi-instrumentista Nilze Carvalho, trazendo no repertório parcerias históricas e clássicos da música popular brasileira. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
A Palavra como Trincheira: Aquilomba HUB Transforma a FLIP 2026 em Arena de Reparação Histórica e Formulação de Políticas Públicas
A Palavra como Trincheira: Aquilomba HUB Transforma a FLIP 2026 em Arena de Reparação Histórica e Formulação de Políticas Públicas Enquanto as ruelas de pedra pé-de-moleque do Centro Histórico de Paraty se preparam para acolher o circuito tradicional da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), uma movimentação de caráter profundamente político e transformador ocupa a Casa Poéticas Negras entre os dias 23 e 24 de julho de 2026. Sob a chancela da parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG), o Instituto Usina Social (IUS) e o Aquilomba Hub, o território histórico sedia o I Seminário Nacional de Letramento Racial, sob o lema incontornável: “Palavras que Aquilombam: Literatura Negra, Memória, Reparação e Democracia”.Longe de se limitar à mera apreciação estética ou ao diletantismo literário burguês, o encontro propõe uma ruptura metodológica profunda. O seminário chega para tensionar o cenário cultural, apresentando a literatura negra não apenas como arte, mas como tecnologia social de sobrevivência, ferramenta de denúncia e base de formulação para a reconstrução democrática do país. “Porque democracia não é apenas voto. É memória, território, justiça, afeto, permanência e direito de existir.”— Manifesto de abertura da Casa Poéticas Negras. O Território Ensina: A Tecnologia do Aquilombo no Chão de Paraty O diferencial do seminário repousa na consolidação da Metodologia Aquilomba de Formação Territorial. Coordenado pelo jornalista e publicitário Edu Nascimento, o Aquilomba Hub propõe um percurso pedagógico que descentraliza a produção do saber acadêmico clássico, devolvendo aos territórios marginalizados a soberania sobre suas próprias narrativas.A programação foi meticulosamente desenhada para alternar a densidade política das mesas de gestão pública com a potência da oralidade e da arte urbana. Exemplo disso é a diversidade que ocupa o dia 23 de julho, que começa às 10h discutindo a capacidade de “Ler o Mundo e Inventar Futuros” com Geisa Lacerda, Cíntia Barreto e Maitê Freitas, e avança para debates cruciais sobre as origens de nossas histórias e a potência da palavra quando transformada em quilombo urbano.À tarde, o debate ganha tração com provocações sobre se a igualdade ainda é uma promessa não cumprida e a afirmação de que “Não existe democracia sem Poder Popular!”, sob a liderança de Nádia Akawã Tupinambá e Clara Kaiowá. O Encontro do Asfalto, do Quilombo e do Poder Central O seminário se destaca pela densidade de sua representação. Ao colocar na mesma mesa ativistas da sociedade civil, pesquisadores acadêmicos e o núcleo duro do governo federal, o evento estabelece um canal direto de accountability e formulação de propostas.A abertura institucional, programada para o fim da tarde do dia 23, contará com a presença da Ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. O debate também traz vozes cruciais da gestão pública e do território tradicional, como: Ronaldo dos Santos, quilombola do Campinho da Independência (Paraty) e Secretário Nacional de Políticas para Quilombolas; Clédisson Júnior, Secretário de Gestão do SINAPIR, especialista em justiça climática;Tiago Santana, Secretário Nacional de Políticas de Ações Afirmativas do MIR; Indira França, educadora caiçara e doutora em Educação (OTSS/Fiocruz). Do Encarceramento ao Afeto: A Noite de Transgressão e Celebração O encerramento do primeiro dia (23) demonstra a complexidade da curadoria da Casa Poéticas Negras. Às 19h, a mesa “Encarceramento Feminino, Feminicídio e Direito à Justiça”, com Mãe Flávia Pinto e Elaine Barbosa, pauta a face mais dura do racismo institucionalizado na vida das mulheres negras.Logo em seguida, às 20h30, o debate transiciona para o campo das subjetividades com a provocação de Andreone Medrado: “Quem definiu quais formas de amar são legítimas? Não monogamia, desejo e as políticas afetivas da desobediência”. A proposta é clara: a emancipação negra também passa pela libertação dos afetos, do corpo e do direito ao prazer.Para coroar a noite de debates intensos, a resistência também se faz em celebração. Às 22h30, a Casa abre espaço para a descontração e a memória afetiva musical com uma autêntica Noite de Pagode 90, comandada pelo Grupo Chega Mais, provando que a alegria é uma ferramenta política de permanência e cura coletiva. Centenário de Milton Santos: A Geografia da Resistência no Dia 24 No segundo dia de seminário (24), a programação é inaugurada sob a energia vibrante da Orquestra Tambores de Aço (Steel Drums, da Fundação CSN), trazendo 30 jovens de projetos sociais para o Centro Histórico. O ato prepara o espírito do público para a Mesa 2, dedicada à celebração do centenário de Milton Santos sob o tema “O Território Ensina”.Mediada por Edu Nascimento, a mesa reunirá o geógrafo Billy Malachias e representantes ministeriais para debater a atualidade do pensamento do maior geógrafo do Brasil. O debate ganha contornos de urgência ao pautar a justiça espacial e a necessidade do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR) em dar respostas às desigualdades territoriais históricas. Do Debate ao Documento: A Carta de Paraty Diferente de encontros que encerram seus ciclos nas palmas do público, o I Seminário Nacional de Letramento Racial desenha uma entrega prática e de incidência política imediata. Toda a discussão acumulada ao longo das mesas confluirá na redação da Carta de Paraty pela Promoção da Igualdade Racial e da Literatura Negra.O documento entregará recomendações formais para políticas públicas de leitura, fomento editorial periférico, preservação de patrimônio imaterial e formação de redes de cooperação intelectual negra no Brasil.Com entrada totalmente gratuita (mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla a partir do dia 20), a Casa Poéticas Negras e o Aquilomba Hub consolidam-se como o verdadeiro epicentro pulsante de debate estrutural da FLIP 2026. Em Paraty, os passos que vêm de longe dão novos rumos para o futuro do país. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
Intelectualidade negra e samba se encontram no Méier: 4º Encontro Formativo em Letramento Racial traz Nei Lopes e grandes nomes à Zona Norte
INTELECTUALIDADE NEGRA E SAMBA SE ENCONTRAM NO MÉIER: 4º ENCONTRO FORMATIVO EM LETRAMENTO RACIAL TRAZ NEI LOPES E GRANDES NOMES À ZONA NORTE RIO DE JANEIRO — No próximo dia 18 de julho, a partir das 16h, a Praça Agripino Grieco, no Méier, vai se transformar no epicentro do pensamento crítico, da salvaguarda da memória e da celebração da cultura afro-brasileira. A tradicional “praça-sala de aula” da Zona Norte carioca recebe o 4º Encontro Formativo em Letramento Racial / Territórios Negros de Memória, Cultura e Reparação: epistemologias afro-brasileiras para a construção da democracia e da justiça racial. Acesso Gratuito Com acesso totalmente público e gratuito, o evento promove um diálogo potente entre a produção acadêmica, a gestão pública e os movimentos sociais, tendo como ponto alto o retorno histórico do escritor, compositor e filólogo Nei Lopes ao Méier. O Território como Patrimônio Vivo e Espaço de Formação O Encontro Formativo em Letramento Racial consolida-se como um espaço fundamental para a formulação crítica, a produção coletiva de conhecimento e o fortalecimento de políticas de igualdade racial. Ao escolher o Leão Etíope do Méier como sede, a iniciativa reconhece o território suburbano como um patrimônio vivo da memória negra e da organização comunitária da cidade.O evento conta com o apoio e patrocínio integral do Projeto Aquilomba HUB – Rede de Cidadania & Ancestralidade, uma iniciativa nascida do convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC, com execução operacional do Instituto Usina Social (IUS). O apoio reforça o compromisso do projeto em preencher as lacunas de implementação da Lei 10.639/2003 e combater o racismo estrutural através do letramento racial prático. Mesa de Abertura e Debate sobre Reparação Após o credenciamento, acolhida dos participantes e uma intervenção cultural de abertura, os debates teóricos tomam forma na Mesa 1: REPARAÇÃO. O painel reunirá nomes de peso da intelectualidade contemporânea para debater o apagamento histórico e as desigualdades sociopolíticas: Antonio Jose do Espirito Santo (Spirito Santo): Intelectual, ex-preso político, artesão e renomado músico pesquisador da cultura afro-brasileira. Criador do Grupo Vissungo e autor do aclamado livro “Do Samba ao Funk do Jordão”, Spirito Santo acumula gravações históricas ao lado de Clementina de Jesus e Milton Nascimento. Dra. Raquel Barreto: Historiadora, doutora pela UFF e pesquisadora de referência internacional no trabalho de Angela Davis e Lélia Gonzalez. Especialista em relações entre visualidade e política, atuou na curadoria de exposições sobre os Panteras Negras no Brasil e na publicação independente das obras de Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. Nei Braz Lopes: Advogado de formação, escritor, contista e um dos maiores pensadores da cultura afro-brasileira, que abriu mão da carreira jurídica nos anos 1960 para combater o formalismo e o embranquecimento institucional através da arte, da música e da militância. O encontro contará ainda com outras duas mesas temáticas, focadas em debater Memória e Políticas Públicas de Igualdade Racial. O Retorno do Griô: Nei Lopes lança Autobiografia no Subúrbio Exatamente 11 anos após sua primeira visita ao Leão Etíope do Méier, Nei Lopes — hoje com 84 anos e detentor de uma obra que ultrapassa os 50 livros publicados e 800 composições — volta à Zona Norte para o lançamento de sua aguardada autobiografia: “O ‘Robusto’ Menino de Irajá: Doces Lembranças, Eternas Saudades”.Militante histórico da causa afro-descendente desde os anos 1970, cofundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Quilombo e precursor do pagode de fundo de quintal em parceria com Wilson Moreira, Nei Lopes faz de sua trajetória intelectual uma trincheira de conscientização e afirmação da periferia urbana como polo produtor de cultura e resistência nacional. Curadoria Musical de Peso e Encerramento Como o Leão Etíope do Méier é reconhecido pela excelência em suas manifestações artísticas, a curadoria musical do dia traz o cantor e compositor Moyseis Marques e grupo, acompanhados da participação luxuosa e consagrada da instrumentista e sambista Nilze Carvalho. A ambientação sonora, antes e depois das mesas, fica sob a responsabilidade do pesquisador e DJ Gustavo Keno. O evento é uma realização coletiva e conta também com os agradecimentos especiais aos parceiros Decanos da Arte Popular, Sub ZN Rio, Hocus Pocus, Magnífica de Faria e Quintal da Ideia, trazendo a identidade visual assinada por @bragga_ffics. SERVIÇO:Evento: 4° Encontro Formativo em Letramento Racial / Nei Lopes no LeãoData: 18 de JulhoHorário: A partir das 16hLocal: Praça Agripino Grieco (Rua Dias da Cruz, s/n – Méier, Rio de Janeiro – RJ)Entrada: Totalmente franca e aberta ao público. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
5º Festival das Cores celebra diversidade, memória e letramento racial na Ilha do Governador
5º Festival das Cores celebra diversidade, memória e letramento racial na Ilha do Governador A Areninha Carioca Renato Russo, no Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador, transformou-se em um potente território de celebração, afeto e resistência. Em sua quinta edição, o Festival das Cores, promovido pela ONG Encontro das Cores, consolidou-se como um espaço vital para o diálogo sobre diversidade, arte e representatividade na nossa cidade.O Aquilomba HUB – Rede de Cidadania e Ancestralidade, que esteve presente como um dos apoiadores oficiais do evento ao lado do Ministério da Igualdade Racial, do IFRJ e do Instituto Usina Social, acompanhou de perto uma tarde marcada por trocas profundas, vivências e histórias de vida que inspiram a continuidade da nossa caminhada coletiva. Encontro, Escuta e Letramento Racial Muito além de um evento festivo, o festival reuniu arte, cultura, gastronomia, artesanato, brechó, flash tattoo e apresentações musicais com DJs em uma programação totalmente gratuita para um público plural e acolhedor. No entanto, o verdadeiro cerne da tarde esteve na escuta ativa e no aprendizado mútuo.São espaços descentralizados como esse que fortalecem o sentimento de pertencimento e a construção de uma sociedade mais justa. Afinal, o letramento racial e o combate às opressões se fazem no encontro cotidiano e na partilha de saberes. Atravessando as pautas urgentes da comunidade LGBTQIAPN+, o evento trouxe reflexões cruciais sobre o enfrentamento ao racismo, inclusão social, cidadania e direitos.“Seguimos aquilombando ideias e transformações. Aquilombe-se!” Debates que Transformam o Amanhã.O ponto alto da articulação política e cultural do festival ficou por conta de três mesas de debate fundamentais, que reuniram artistas, ativistas, pesquisadores e representantes do poder público: Mesa 1 – MEMÓRIA: De Stonewall à Lapa, Quem Escreve a História? Um resgate histórico focado no orgulho e no legado das nossas lideranças pretas e LGBT, reivindicando o direito de narrar nossas próprias trajetórias. Mesa 2 – REPARAÇÃO: Racismo, Estereótipo e o Mercado de Trabalho Discussões potentes sobre como derrubar barreiras institucionais e abrir caminhos reais na vida profissional e no circuito cultural para corpos historicamente marginalizados. Mesa 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS: Cotas e Editais de Incentivo O papo reto sobre ações afirmativas, o funcionamento dos editais de cultura e a garantia de direitos básicos. Encontro, Escuta e Letramento Racial O Aquilomba HUB parabeniza imensamente a ONG Encontro das Cores, todos os organizadores, expositores, artistas, lideranças e cada pessoa que colou para tornar esse dia histórico. Contar a nossa história com orgulho e sob a nossa própria perspectiva é a chave para transformar o amanhã.Que venham as próximas edições! Texto: Lucas Sporques Realização e Apoio: Aquilomba HUB, Ministério da Igualdade Racial, Instituto Federal de Goiás, Instituto Usina Social, Encontro das Cores e Areninha Renato Russo. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação
Aquilomba HUB promove debate sobre apagamento de lideranças pretas LGBT durante o Festival das Cores HUB
Aquilomba HUB promove debate sobre apagamento de lideranças pretas LGBT durante o Festival das Cores Evento gratuito acontece no dia 20 de junho, na Areninha Carioca Renato Russo, na Ilha do Governador, reunindo formação cidadã, memória histórica e celebração da diversidade A luta por diversidade, memória e justiça racial será tema do 2º Encontro de Letramento Racial do Aquilomba HUB, que acontece no próximo dia 20 de junho, durante a programação da 5ª edição do Festival das Cores, na Areninha Carioca Renato Russo, no Aterro do Cocotá, Ilha do Governador. Com o tema “A Marcha de Stonewall: De Craig Rodwell, Madame Satã a Jorge Lafond — O Apagamento de Lideranças Pretas LGBT”, o encontro propõe uma reflexão sobre como o racismo e a LGBTfobia contribuíram para invisibilizar figuras negras fundamentais na construção da luta por direitos da população LGBTQIAP+. A atividade integra a programação do Festival das Cores, evento que celebra o orgulho LGBTQIAP+ e que, nesta edição, contará com mais de 20 atrações artísticas, além de feira de empreendedores locais, fortalecendo a cultura, a arte e a economia criativa da região. Segundo a organização, o encontro busca promover uma discussão sobre reparação histórica, memória e ancestralidade negra, educação antirracista, políticas públicas de igualdade racial e participação social. A proposta é ampliar o acesso à informação e fortalecer a construção de uma sociedade mais inclusiva e comprometida com os direitos humanos. Diversidade e Luta Antirracista A escolha do tema dialoga com o mês do orgulho LGBTQIAP+ e resgata personagens históricos frequentemente esquecidos nas narrativas oficiais. Entre eles estão o ativista norte-americano Craig Rodwell, importante articulador das primeiras marchas do orgulho, o artista e símbolo da resistência negra e dissidente Madame Satã, e o ator e humorista Jorge Lafond, cuja trajetória marcou a televisão brasileira e a luta contra o preconceito. O encontro é promovido pelo Aquilomba HUB – Rede de Cidadania e Ancestralidade, em parceria com o Festival das Cores, e conta com realização do Ministério da Igualdade Racial, Instituto Federal de Goiás (IFG) e Instituto Usina Social. Além de celebrar a diversidade, a iniciativa reforça a importância da preservação da memória das populações negras e LGBTQIAP+, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades e para a valorização de trajetórias historicamente apagadas. Serviço 2º Encontro de Letramento Racial do Aquilomba HUBTema: “A Marcha de Stonewall: De Craig Rodwell, Madame Satã a Jorge Lafond — O Apagamento de Lideranças Pretas LGBT”📅 Data: 20 de junho🕑 Horário: A partir das 14h📍 Local: Areninha Carioca Renato Russo – Aterro do Cocotá, Ilha do Governador (RJ)🎟️ Inscrições Gratuitas Inscrições aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação – Aquilomba HUB Outras matérias
Encontro de Letramento Racial no Vale do Café debate a “Abolição Inconclusa” e marca lançamento do projeto Aquilomba HUB
Encontro de Letramento Racial no Vale do Café debate a “Abolição Inconclusa” e marca lançamento do Projeto Aquilomba HUB O município de Valença, no Sul Fluminense, recebeu no último dia 30 de maio o Encontro Formativo em Letramento Racial, que reuniu representantes do poder público, universidades, movimentos sociais, comunidades tradicionais, artistas, educadores e coletivos culturais para discutir os desafios da igualdade racial no Brasil. Com o tema “14 de Maio – A Abolição Inconclusa e 25 de Maio – Dia da África”, o evento também marcou o lançamento do Projeto Aquilomba HUB – Rede de Cidadania e Ancestralidade. Realizado no Centro Cultural Nação Mestiça, no bairro Cambotá, o encontro integrou as ações do Aquilomba HUB, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com o Instituto Federal de Goiás (IFG), executada pelo Instituto Usina Social e pela FUNTEC. A proposta do projeto é fortalecer ações de formação cidadã, memória, identidade e participação social em territórios historicamente marcados pela presença e resistência da população negra. Durante a abertura, o secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Tiago Santana, destacou a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento das comunidades negras e à construção de políticas públicas conectadas às realidades locais. “Promover letramento racial, memória e cidadania nos territórios historicamente marcados pela desigualdade é fundamental para consolidar políticas de reparação histórica e fortalecimento da democracia. O Aquilomba HUB representa um importante instrumento de articulação entre educação, cultura, direitos humanos e participação social” Tiago Santana Secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial Reparação, memória e políticas públicas No debate sobre reparação, o vice-presidente do Clube Palmares de Volta Redonda e do Jongo D’I Volta, Mestre Geraldinho, abordou os impactos do pós-abolição sobre a população negra e destacou como a região do Vale do Café foi construída pelo trabalho escravizado. Já Juliana Sampaio, assessora de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Volta Redonda, defendeu a criação e o fortalecimento de órgãos municipais voltados à igualdade racial como instrumentos de reparação institucional.O eixo dedicado à memória contou com reflexões sobre a valorização das tradições afro-brasileiras e a implementação da educação antirracista. Mestra Fatinha, do Jongo de Pinheiral, ressaltou o papel do jongo como ferramenta de resistência e educação. A professora Cláudia Martins, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFRJ, compartilhou experiências relacionadas ao letramento racial e aos desafios para efetivar a Lei 10.639/03 nas escolas. Encerrando os debates, o painel sobre políticas públicas destacou a necessidade de ampliar a participação da população negra nos espaços de decisão. Isabela Marques, do Fórum de Mulheres Negras de Volta Redonda, enfatizou a importância da disputa pelo orçamento público e da ocupação de cargos de poder por mulheres negras. Representando os Povos de Terreiro, Pai Cid Soares, do Observatório Manoel Congo, defendeu maior participação política das comunidades tradicionais para garantir direitos e combater a discriminação religiosa. A escolha do Vale do Café para sediar o encontro foi considerada estratégica pelos organizadores. A região é reconhecida como um dos principais territórios da diáspora africana no estado do Rio de Janeiro e guarda importantes referências da história da escravidão, da resistência negra e das tradições afro-brasileiras.Segundo o coordenador executivo do Aquilomba HUB, o jornalista Edu Nascimento, realizar o evento no território reforça a necessidade de reconhecer o protagonismo das comunidades negras na formação da cultura e da identidade fluminense. “O Vale do Café carrega as marcas da escravidão, mas também preserva a força da resistência negra que moldou a cultura fluminense. Realizar este encontro na região é reconhecer o protagonismo das comunidades negras na construção da história do estado” Eduardo Nascimento Coordenador do Aquilomba HUB Cultura como instrumento de educação e resistência Além dos debates, o encontro contou com uma intensa programação cultural voltada à valorização da ancestralidade afro-brasileira.Entre os destaques esteve a performance teatral e musical “Não Vadeia Clementina”, conduzida pela atriz Márcia Valença, inspirada na trajetória da cantora valenciana Clementina de Jesus. O espetáculo resgatou elementos da oralidade negra, dos vissungos e da memória da resistência pós-abolição.Também integrou a programação o Bloco de Percussão Feminina Pé de Moça, de Valença, que apresentou ritmos brasileiros e destacou seu papel como espaço de acolhimento e fortalecimento das mulheres.O encerramento ficou por conta de uma Roda de Jongo e Samba de Roda, reunindo Mestra Fatinha, Mestre Geraldinho e o Grupo Jovem Nação Mestiça. A atividade celebrou o jongo e o samba de roda como patrimônios da cultura afro-brasileira, fortalecendo a preservação da memória da diáspora africana e a transmissão de saberes ancestrais entre gerações.A realização do encontro contou ainda com a parceria da ONG Nação Mestiça, vinculada ao Movimento Capoeira, Ponto de Cultura e integrante do Comitê de Cultura do Rio de Janeiro, ligado ao Ministério da Cultura.A escolha do Vale do Café para sediar o encontro foi considerada estratégica pelos organizadores. A região é reconhecida como um dos principais territórios da diáspora africana no estado do Rio de Janeiro e guarda importantes referências da história da escravidão, da resistência negra e das tradições afro-brasileiras. Segundo o coordenador executivo do Aquilomba HUB, o jornalista Edu Nascimento, realizar o evento no território reforça a necessidade de reconhecer o protagonismo das comunidades negras na formação da cultura e da identidade fluminense. aquilombahub Lucas Sporques – Coordenador de Comunicação