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Encontro de Letramento Racial no Vale do Café debate a "Abolição Inconclusa" e marca lançamento do projeto Aquilomba HUB

Encontro de Letramento Racial no Vale do Café debate a “Abolição Inconclusa”

e marca lançamento do Projeto Aquilomba HUB

O município de Valença, no Sul Fluminense, recebeu no último dia 30 de maio o Encontro Formativo em Letramento Racial, que reuniu representantes do poder público, universidades, movimentos sociais, comunidades tradicionais, artistas, educadores e coletivos culturais para discutir os desafios da igualdade racial no Brasil. Com o tema “14 de Maio – A Abolição Inconclusa e 25 de Maio – Dia da África”, o evento também marcou o lançamento do Projeto Aquilomba HUB – Rede de Cidadania e Ancestralidade. Realizado no Centro Cultural Nação Mestiça, no bairro Cambotá, o encontro integrou as ações do Aquilomba HUB, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com o Instituto Federal de Goiás (IFG), executada pelo Instituto Usina Social e pela FUNTEC. A proposta do projeto é fortalecer ações de formação cidadã, memória, identidade e participação social em territórios historicamente marcados pela presença e resistência da população negra. Durante a abertura, o secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial, Tiago Santana, destacou a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento das comunidades negras e à construção de políticas públicas conectadas às realidades locais.

“Promover letramento racial, memória e cidadania nos territórios historicamente marcados pela desigualdade é fundamental para consolidar políticas de reparação histórica e fortalecimento da democracia. O Aquilomba HUB representa um importante instrumento de articulação entre educação, cultura, direitos humanos e participação social”
Tiago Santana
Secretário de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo do Ministério da Igualdade Racial

Reparação, memória e políticas públicas

No debate sobre reparação, o vice-presidente do Clube Palmares de Volta Redonda e do Jongo D’I Volta, Mestre Geraldinho, abordou os impactos do pós-abolição sobre a população negra e destacou como a região do Vale do Café foi construída pelo trabalho escravizado. Já Juliana Sampaio, assessora de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Volta Redonda, defendeu a criação e o fortalecimento de órgãos municipais voltados à igualdade racial como instrumentos de reparação institucional.O eixo dedicado à memória contou com reflexões sobre a valorização das tradições afro-brasileiras e a implementação da educação antirracista. Mestra Fatinha, do Jongo de Pinheiral, ressaltou o papel do jongo como ferramenta de resistência e educação. A professora Cláudia Martins, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFRJ, compartilhou experiências relacionadas ao letramento racial e aos desafios para efetivar a Lei 10.639/03 nas escolas. Encerrando os debates, o painel sobre políticas públicas destacou a necessidade de ampliar a participação da população negra nos espaços de decisão. Isabela Marques, do Fórum de Mulheres Negras de Volta Redonda, enfatizou a importância da disputa pelo orçamento público e da ocupação de cargos de poder por mulheres negras. Representando os Povos de Terreiro, Pai Cid Soares, do Observatório Manoel Congo, defendeu maior participação política das comunidades tradicionais para garantir direitos e combater a discriminação religiosa.

A escolha do Vale do Café para sediar o encontro foi considerada estratégica pelos organizadores. A região é reconhecida como um dos principais territórios da diáspora africana no estado do Rio de Janeiro e guarda importantes referências da história da escravidão, da resistência negra e das tradições afro-brasileiras.Segundo o coordenador executivo do Aquilomba HUB, o jornalista Edu Nascimento, realizar o evento no território reforça a necessidade de reconhecer o protagonismo das comunidades negras na formação da cultura e da identidade fluminense.

"O Vale do Café carrega as marcas da escravidão, mas também preserva a força da resistência negra que moldou a cultura fluminense. Realizar este encontro na região é reconhecer o protagonismo das comunidades negras na construção da história do estado"
Eduardo Nascimento
Coordenador do Aquilomba HUB

Cultura como instrumento de educação e resistência

Além dos debates, o encontro contou com uma intensa programação cultural voltada à valorização da ancestralidade afro-brasileira.Entre os destaques esteve a performance teatral e musical “Não Vadeia Clementina”, conduzida pela atriz Márcia Valença, inspirada na trajetória da cantora valenciana Clementina de Jesus. O espetáculo resgatou elementos da oralidade negra, dos vissungos e da memória da resistência pós-abolição.Também integrou a programação o Bloco de Percussão Feminina Pé de Moça, de Valença, que apresentou ritmos brasileiros e destacou seu papel como espaço de acolhimento e fortalecimento das mulheres.O encerramento ficou por conta de uma Roda de Jongo e Samba de Roda, reunindo Mestra Fatinha, Mestre Geraldinho e o Grupo Jovem Nação Mestiça. A atividade celebrou o jongo e o samba de roda como patrimônios da cultura afro-brasileira, fortalecendo a preservação da memória da diáspora africana e a transmissão de saberes ancestrais entre gerações.A realização do encontro contou ainda com a parceria da ONG Nação Mestiça, vinculada ao Movimento Capoeira, Ponto de Cultura e integrante do Comitê de Cultura do Rio de Janeiro, ligado ao Ministério da Cultura.
A escolha do Vale do Café para sediar o encontro foi considerada estratégica pelos organizadores. A região é reconhecida como um dos principais territórios da diáspora africana no estado do Rio de Janeiro e guarda importantes referências da história da escravidão, da resistência negra e das tradições afro-brasileiras. Segundo o coordenador executivo do Aquilomba HUB, o jornalista Edu Nascimento, realizar o evento no território reforça a necessidade de reconhecer o protagonismo das comunidades negras na formação da cultura e da identidade fluminense.

aquilombahub

Lucas Sporques - Coordenador de Comunicação

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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil  com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.

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