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A Palavra como Trincheira: Aquilomba HUB Transforma a FLIP 2026 em Arena de Reparação Histórica e Formulação de Políticas Públicas

A Palavra como Trincheira: Aquilomba HUB Transforma a FLIP 2026 em Arena de Reparação Histórica e Formulação de Políticas Públicas

Enquanto as ruelas de pedra pé-de-moleque do Centro Histórico de Paraty se preparam para acolher o circuito tradicional da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), uma movimentação de caráter profundamente político e transformador ocupa a Casa Poéticas Negras entre os dias 23 e 24 de julho de 2026. Sob a chancela da parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG), o Instituto Usina Social (IUS) e o Aquilomba Hub, o território histórico sedia o I Seminário Nacional de Letramento Racial, sob o lema incontornável: "Palavras que Aquilombam: Literatura Negra, Memória, Reparação e Democracia".Longe de se limitar à mera apreciação estética ou ao diletantismo literário burguês, o encontro propõe uma ruptura metodológica profunda. O seminário chega para tensionar o cenário cultural, apresentando a literatura negra não apenas como arte, mas como tecnologia social de sobrevivência, ferramenta de denúncia e base de formulação para a reconstrução democrática do país. "Porque democracia não é apenas voto. É memória, território, justiça, afeto, permanência e direito de existir."— Manifesto de abertura da Casa Poéticas Negras.

O Território Ensina: A Tecnologia do Aquilombo no Chão de Paraty

O diferencial do seminário repousa na consolidação da Metodologia Aquilomba de Formação Territorial. Coordenado pelo jornalista e publicitário Edu Nascimento, o Aquilomba Hub propõe um percurso pedagógico que descentraliza a produção do saber acadêmico clássico, devolvendo aos territórios marginalizados a soberania sobre suas próprias narrativas.A programação foi meticulosamente desenhada para alternar a densidade política das mesas de gestão pública com a potência da oralidade e da arte urbana. Exemplo disso é a diversidade que ocupa o dia 23 de julho, que começa às 10h discutindo a capacidade de "Ler o Mundo e Inventar Futuros" com Geisa Lacerda, Cíntia Barreto e Maitê Freitas, e avança para debates cruciais sobre as origens de nossas histórias e a potência da palavra quando transformada em quilombo urbano.À tarde, o debate ganha tração com provocações sobre se a igualdade ainda é uma promessa não cumprida e a afirmação de que "Não existe democracia sem Poder Popular!", sob a liderança de Nádia Akawã Tupinambá e Clara Kaiowá.

O Encontro do Asfalto, do Quilombo e do Poder Central

O seminário se destaca pela densidade de sua representação. Ao colocar na mesma mesa ativistas da sociedade civil, pesquisadores acadêmicos e o núcleo duro do governo federal, o evento estabelece um canal direto de accountability e formulação de propostas.A abertura institucional, programada para o fim da tarde do dia 23, contará com a presença da Ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. O debate também traz vozes cruciais da gestão pública e do território tradicional, como: Ronaldo dos Santos, quilombola do Campinho da Independência (Paraty) e Secretário Nacional de Políticas para Quilombolas; Clédisson Júnior, Secretário de Gestão do SINAPIR, especialista em justiça climática;Tiago Santana, Secretário Nacional de Políticas de Ações Afirmativas do MIR; Indira França, educadora caiçara e doutora em Educação (OTSS/Fiocruz).

Do Encarceramento ao Afeto: A Noite de Transgressão e Celebração

O encerramento do primeiro dia (23) demonstra a complexidade da curadoria da Casa Poéticas Negras. Às 19h, a mesa "Encarceramento Feminino, Feminicídio e Direito à Justiça", com Mãe Flávia Pinto e Elaine Barbosa, pauta a face mais dura do racismo institucionalizado na vida das mulheres negras.Logo em seguida, às 20h30, o debate transiciona para o campo das subjetividades com a provocação de Andreone Medrado: "Quem definiu quais formas de amar são legítimas? Não monogamia, desejo e as políticas afetivas da desobediência". A proposta é clara: a emancipação negra também passa pela libertação dos afetos, do corpo e do direito ao prazer.Para coroar a noite de debates intensos, a resistência também se faz em celebração. Às 22h30, a Casa abre espaço para a descontração e a memória afetiva musical com uma autêntica Noite de Pagode 90, comandada pelo Grupo Chega Mais, provando que a alegria é uma ferramenta política de permanência e cura coletiva.

Centenário de Milton Santos: A Geografia da Resistência no Dia 24

No segundo dia de seminário (24), a programação é inaugurada sob a energia vibrante da Orquestra Tambores de Aço (Steel Drums, da Fundação CSN), trazendo 30 jovens de projetos sociais para o Centro Histórico. O ato prepara o espírito do público para a Mesa 2, dedicada à celebração do centenário de Milton Santos sob o tema "O Território Ensina".Mediada por Edu Nascimento, a mesa reunirá o geógrafo Billy Malachias e representantes ministeriais para debater a atualidade do pensamento do maior geógrafo do Brasil. O debate ganha contornos de urgência ao pautar a justiça espacial e a necessidade do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR) em dar respostas às desigualdades territoriais históricas.

Do Debate ao Documento: A Carta de Paraty

Diferente de encontros que encerram seus ciclos nas palmas do público, o I Seminário Nacional de Letramento Racial desenha uma entrega prática e de incidência política imediata. Toda a discussão acumulada ao longo das mesas confluirá na redação da Carta de Paraty pela Promoção da Igualdade Racial e da Literatura Negra.O documento entregará recomendações formais para políticas públicas de leitura, fomento editorial periférico, preservação de patrimônio imaterial e formação de redes de cooperação intelectual negra no Brasil.Com entrada totalmente gratuita (mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla a partir do dia 20), a Casa Poéticas Negras e o Aquilomba Hub consolidam-se como o verdadeiro epicentro pulsante de debate estrutural da FLIP 2026. Em Paraty, os passos que vêm de longe dão novos rumos para o futuro do país.

aquilombahub

Lucas Sporques - Coordenador de Comunicação

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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil  com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.

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