A Praça Agripino Grieco, tradicional ponto de passagem no coração do Méier, voltou a ser o epicentro da resistência e do efervescer cultural do subúrbio carioca no último sábado (18). Em mais uma edição de sua programação gratuita e aberta, o coletivo Leão Etíope do Méier reuniu centenas de pessoas em um encontro marcante que aliou o lançamento literário da autobiografia de Nei Lopes a debates sobre negritude, cidadania e a celebração das artes populares.Criado em janeiro de 2014 pelo produtor cultural Pedro Rajão, o movimento nasceu para descentralizar a agenda cultural da cidade, historicamente concentrada na Zona Sul e no Centro, reafirmando o espaço público como local de aprendizado e vivência coletiva.
O ponto alto da tarde foi a mesa de abertura, promovida com patrocínio do Aquilomba Hub e mediação de Edu Nascimento e Tiago Santana. O painel reuniu figuras proeminentes da intelectualidade e do ativismo negro brasileira para debater história, memória e a importância da ocupação dos espaços urbanos.
Durante sua intervenção, o pesquisador Spirito Santo chamou a atenção para as desigualdades sociais e a violência que afetam a população negra no país:
A historiadora e curadora Raquel Barreto destacou o valor simbólico de promover discussões de alto nível intelectual na praça pública:
Ao centro das atenções da noite, o escritor, sambista e filólogo Nei Lopes celebrou o reencontro com o público da Zona Norte, 11 anos após sua primeira visita à praça-sala de aula do Méier, e o lançamento do livro "O 'robusto' Menino de Irajá":
Além do campo das ideias, as artes visuais ganharam lugar de destaque com a exposição "Cria do subúrbio: onde se faz o caminho", da artista Nathalia Valério. A mostra apresentou obras que retrataram a afetividade dos quintais suburbanos, a tradição das ruas pintadas em época de Copa do Mundo, a magia dos bate-bolas e o ritmo das rodas de samba — compondo uma narrativa visual sobre a identidade local contada por quem a vivencia no dia a dia.A programação musical começou com o DJ Set de Gustavo Keno, seguido pela tradição religiosa e festiva da Folia de Reis Sagrada Estrela do Oriente. A noite encerrou-se em clima de celebração com a Roda de Samba comandada pelo cantor e compositor Moyseis Marques, com participação especial da cantora e multi-instrumentista Nilze Carvalho, trazendo no repertório parcerias históricas e clássicos da música popular brasileira.