O 5° Encontro Formativo em Letramento Racial do Projeto Aquilomba Hub será realizado no território do Vale da Revolta, em Teresópolis, região marcada por profundas camadas históricas, sociais, ambientais e culturais que permitem refletir criticamente sobre a formação da cidade e da Serra dos Órgãos.
A escolha do território parte da compreensão de que o espaço também educa, guarda memórias e revela disputas de poder. O Vale da Revolta constitui um território estratégico para o desenvolvimento de uma formação em letramento racial justamente por possibilitar o deslocamento de narrativas históricas centradas exclusivamente na colonização europeia e na figura de determinados personagens da história oficial.
A atividade propõe uma leitura ampliada do território, reconhecendo as presenças indígenas, negras, quilombolas e de outros sujeitos historicamente invisibilizados nos processos de ocupação, circulação, trabalho, produção cultural e resistência na região.
Nesse sentido, o encontro buscará estabelecer um diálogo entre memória, território, patrimônio, meio ambiente, cultura, racismo estrutural e políticas públicas, compreendendo o letramento racial como instrumento de formação crítica e de reconhecimento das desigualdades historicamente produzidas.
A realização em parceria com a UNIFESO e com o Jongo do Quilombo da Serra, representado pela Mestra Bela, amplia a dimensão acadêmica, comunitária e cultural da formação, aproximando conhecimento científico, saberes tradicionais, memória oral e práticas culturais de resistência.
O encontro também terá como eixo simbólico a recuperação de histórias que foram apagadas ou secundarizadas, incluindo a trajetória de Ignácia March, mulher mestiça cuja presença na história local permite problematizar os processos de apagamento de mulheres negras e mestiças na construção das narrativas oficiais.
O eixo pedagógico do encontro articula três dimensões fundamentais:
REPARAÇÃO → MEMÓRIA → POLÍTICAS PÚBLICAS
Essas dimensões serão trabalhadas de forma integrada, compreendendo que a reparação histórica depende da preservação e valorização da memória, bem como da existência de políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades estruturais e assegurar direitos.
O encontro também terá como referência a Lei nº 10.639/2003, que alterou a legislação educacional brasileira para incluir a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, constituindo importante instrumento para a educação antirracista e para a transformação das práticas pedagógicas.
A REVOLTA DA CHIBATA E A MEMÓRIA DA RESISTÊNCIA NEGRA
Outro elemento fundamental para o debate sobre memória, resistência e cidadania é a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910 e liderada por marinheiros, em sua maioria negros, contra os castigos físicos e as condições degradantes existentes na Marinha brasileira.
A Revolta da Chibata constitui importante referência para compreender a continuidade das lutas da população negra no período pós-abolição e demonstra que a liberdade formal conquistada em 1888 não significou o fim das estruturas de desigualdade, violência e discriminação racial.
A presença de João Cândido Felisberto, conhecido como Almirante Negro, no centro desse processo constitui uma referência fundamental para o debate sobre protagonismo negro, resistência e cidadania.
A abordagem da Revolta da Chibata no Circuito permitirá estabelecer uma conexão entre:
ABOLIÇÃO → PÓS-ABOLIÇÃO → RACISMO → RESISTÊNCIA → CIDADANIA → REPARAÇÃO
O episódio também possibilita discutir como determinadas experiências da população negra foram historicamente silenciadas ou tratadas de maneira secundária na memória nacional.
A discussão sobre a Revolta da Chibata deve, portanto, ultrapassar o relato do acontecimento histórico e provocar uma reflexão sobre quem é reconhecido como herói, quem tem sua memória preservada e quais sujeitos permanecem ausentes das narrativas oficiais.
Professor, escritor, conferencista, presidente da Academia Teresopolitana de Letras, membro da Academia Fluminense de Letras e mais 12 Academias. Babalaô de Umbanda Bantu-ameríndia, 50 anos de sacerdócio e luta pela preservação das tradições afroindigenas.Não ler Do Samba ao Funk do Jordão é um caso tão grave quanto o de não gostar de cerveja gelada, panceta pururuca e roda de samba.
Dr em Sociologia , professor da Seeduc e Faetec. Pesquisador.
Vovó Nazareth é Matriarca, griô e conselheira das ações realizadas no Centro Sociocultural Quilombo da Serra. Filha de Álvaro Paná - "o nosso Zumbi". Sócia-fundadora do Quintal das Artes de Teresópolis, agricultora de "mão-boa", conhecedora dos saberes medicinais da floresta, amiga das plantas e jongueira de tradição.
Mini Bio e Rede Social: (não tenho rede social) Educadora Antirracista, Professora da Rede Municipal de Teresópolis, Coordenadora de Equidade Racial e Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação de Teresópolis, Agente de Formação da PNEERQ (Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola), do MEC.
Adalcy Serafim de Lima é Mestre Bimbinho. Percussionista, professor, Alabê no candomblé, Fundador do Grupo Quintal do Céu - patrimônio cultural imaterial de Teresópolis. Sócio-fundador do Centro Sociocultural Quilombo da Serra, onde facilita aulas de percussão iniciante e avançadas para ogãs de várias casas de axé do município. Mestre do Jongo do Quilombo da Serra dos Órgãos.
Colecionadora de saBenças da Terra e guardiã de sementes-crioula. Artista transdisciplinar, bacharela em Teoria da Dança pela UFRJ, Diretora de Comunicação do Centro Sociocultural Quilombo da Serra, onde facilita práticas corporais de Dança Afro e coordena o movimento de salvaguarda e disseminação do Jongo do Quilombo da Serra dos Órgãos.
Márcio Ferreira é jornalista, escritor, pesquisador e professor, mestre e doutorando em Sociologia Política pelo IUPERJ/UCAM. Graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho, possui MBA em Marketing e Comunicação Empresarial pela Universidade Veiga de Almeida e aperfeiçoamento em Opinião Pública, Mídia e Estratégias Eleitorais pelo IUPERJ. Suas pesquisas concentram-se nas interfaces entre religião, política, raça, opinião pública, comportamento eleitoral, moralidades públicas, disputas simbólicas e sociabilidades religiosas. Sua pesquisa de doutorado investiga as trajetórias e transformações de Zé Pilintra, entre o Catimbó/Jurema nordestino e a Umbanda urbana carioca, com atenção aos processos de circulação religiosa, migração, identidades e sociabilidades. Pesquisador de religiões ligado ao RECID, integra o Centro Espírita de Umbanda Xangô Cabo do Oriente, onde exerce as funções de Ogã Alabê e Oju Obá. É membro da Academia Teresopolitana de Letras (ATL), onde ocupa a cadeira nº 27, e autor do livro Tantinho e outros tantos contos. Com ampla trajetória no jornalismo, na comunicação pública, no ensino superior e na gestão institucional, é CEO da Brotar Comunicação e Pesquisa. Foi professor da Universidade Veiga de Almeida por 16 anos e também atuou no ensino de pós-graduação. Iniciou sua trajetória profissional no jornal O Diário de Teresópolis e passou por veículos como O DIA e Agência Sport Press/Lance Press. Como articulista e pesquisador, possui textos publicados em veículos e espaços de circulação nacional, entre eles O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão e Le Monde Diplomatique Brasil, além de outras publicações acadêmicas e jornalísticas. Sua produção aborda especialmente religião e política, relações raciais, opinião pública, comportamento social, democracia e transformações da sociedade brasileira. Ao longo de sua trajetória, recebeu distinções como a Medalha Tiradentes, o Diploma de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro e o título de Cidadão Teresopolitano.
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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.