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7º Encontro de Letramento Racial

Mulheres Fazedoras de Cultura e Preservação da Memória Cultural da Cidade

O 7º Encontro Formativo de Letramento Racial – Aquilomba no Projeto Criolice propõe uma reflexão sobre a presença, o protagonismo e a contribuição histórica das mulheres negras na construção, produção e preservação da cultura da cidade.

O encontro toma como tema inspirador a trajetória de Tia Doca da Portela, reconhecendo sua história como expressão de ancestralidade, resistência, criação, organização comunitária e preservação da memória cultural negra.

Tia Doca representa uma geração de mulheres negras que fizeram da cultura um espaço de existência, sociabilidade, resistência e transmissão de conhecimentos. Sua trajetória no samba, na Portela e na criação do Pagode da Tia Doca constitui importante referência para pensar o papel das mulheres negras na preservação das tradições culturais da cidade.

A realização do encontro no Centro Cultural Tia Doca, em Madureira, amplia o sentido pedagógico da atividade. O espaço deixa de ser apenas o local onde a formação acontece e passa a ser compreendido como território de memória, ancestralidade, cultura e produção de conhecimento.

A parceria com o Projeto Criolice, que celebra 16 anos de trajetória, estabelece uma importante conexão entre memória e contemporaneidade.

Nesse sentido, Tia Doca representa uma referência ancestral, enquanto Rose Maciel e o Projeto Criolice representam a continuidade contemporânea de mulheres negras que fazem cultura, constroem redes, movimentam territórios e preservam a memória cultural da cidade.

O encontro, portanto, não se limita a uma homenagem. Trata-se de uma formação política e pedagógica sobre memória, reparação, cultura, território, mulheres negras e políticas públicas de igualdade racial.

O encontro parte da compreensão de que as mulheres negras possuem papel fundamental na construção e preservação da memória cultural brasileira.

A trajetória de Tia Doca revela uma mulher que atuou em diferentes dimensões da vida social, conciliando trabalho, família, cultura, samba, criação artística e organização comunitária.

Sua trajetória evidencia como mulheres negras historicamente transformaram espaços cotidianos em lugares de cultura, convivência, resistência e transmissão de saberes.

O Pagode da Tia Doca, realizado em seu quintal, constitui uma expressão concreta dessa capacidade de criação e organização cultural.

A partir dessa experiência, o encontro pretende discutir:

  • Quem são as mulheres que fazem cultura na cidade?
  • Quem preserva as memórias culturais?
  • Quais histórias foram apagadas ou invisibilizadas?
  • Que reconhecimento essas mulheres recebem?
  • Que processos de reparação são necessários?
  • Quais políticas públicas podem garantir a continuidade dessas experiências?

Mesa 1 : REPARAÇÃO — Reconhecimento histórico, simbólico, cultural e institucional da contribuição das mulheres negras para a formação da cidade e de sua cultura.

Dandara Alves Ferreira Barbosa

Mãe de 3, co-idealizadora e produtora do Wakanda in Madureira há 8 anos. Sou idealizadora, roteirista e apresentadora do Avós da Comunidade, projeto que nasceu com o propósito de resgatar, preservar e compartilhar as memórias dos fundadores e primeiros moradores das comunidades do Rio de Janeiro. Também sou criadora do Mães Tomando Sua Cervejinha, projeto que fala sobre maternidade, culpa e, principalmente, sobre a importância do lazer na vida das mães. Graduanda em Gestão de Pessoas, sigo construindo minha trajetória entre a comunicação, a produção cultural e a escrita. Criar, produzir e contar histórias é a forma que encontrei de ocupar e transformar o mundo ao meu redor. Wakanda in Madureira Avós da Comunidade Mães tomando sua cervejinha Não ler Do Samba ao Funk do Jordão é um caso tão grave quanto o de não gostar de cerveja gelada, panceta pururuca e roda de samba.

Aline Monteiro

Sou Aline Monteiro, criadora, gestora e produtora cultural, mulher do subúrbio e fazedora de samba em Irajá. Minha trajetória nasceu do fazer, de criar caminhos e colocar a cultura para acontecer. O samba atravessa minha vida e foi crescendo junto com a minha história. Hoje, à frente do Banho de Fé, sigo transformando minha vivência em encontros, memória, trabalho e pertencimento.

Mesa 2: MEMÓRIA — Memória ancestral, memória comunitária, oralidade, patrimônio cultural e preservação das histórias negras.

Janete Bustamante dos Santos - Jana Guinond

Pedagoga, Mestra em Patrimônio, Cultura e Sociedade, (UFRRJ), CEO da EstimAtiva Liderança de Governança Global Kala Tukula, Diretora e apresentadora do Programa Usando a Língua na Cultne TV; Coordenadora do Acervo Cultne (Jul/Nov 2025); Co-idealizadora do Núcleo de Mulheres Negras na Cultne; Produtora Executiva do Encontro Internacional Alafiá Mundo; Co-Idealizadora da Mimunegra - Mostra Internacional de Artes da Mulher Negra desde o ano de 2011; Diretora de produção dos documentários sobre Dolores Duran e Chiquinha Gonzaga (2022). Diretora de produção do monólogo teatral “Deixa Comigo” de Iléa Ferraz (2024). Idealizadora do Programa Usando a Língua (Portuguesa) que foi selecionado duas vezes consecutivas no Festival Internacional de Webséries, Rio Web Fest (2016/17), concorrendo a melhor série educacional, selecionado nos Festivais Internacionais na Índia (2017) e na Itália (2018). Premiado no Ose Mimo na categoria mídia e comunicação (2018). Atuação na série Sob Pressão, 3ª temporada, nas novelas Bom Sucesso, Vai na Fé, Mania de Você, Pega Pega, Malhação e Força do Querer, e nos filmes M8 de Jeferson De, Medida Provisória de Lázaro Ramos, Última parada 174, e na série Arcanjo Renegado, 3ª temporada. Prêmio Pretas Potências - SP em 2023, categoria: Patrimônio Imaterial - Memória. Recebeu as moções honrosas na Câmara Municipal do RJ (2011, 2023, 2024, 2025 e 2026), Medalha Rosa Egipcíaca de Arte e Literatura de Axé (2023), Moção Zumbi dos Palmares e Levante Negro na OAB (2023 e 2025). Teve sua pesquisa “ Minha Mocidade (In)dependente de Padre Miguel: Preservação e memória de uma escola de samba” com recorte temporal de 1952 a 1965, recomendada pelo reitor e comentarista de carnaval, Dr Milton Cunha, para o reservatório de pesquisas, Rebeca, da Uni Carnaval de Maricá, Além de selecionada nos congressos ALARI-USP-Universidade de Harvard e UFF.

Jonathan Raymundo

Mesa 3 — POLÍTICAS PÚBLICAS DE IGUALDADE RACIAL — Direitos culturais, políticas de fomento, preservação do patrimônio, sustentabilidade das iniciativas culturais e participação das mulheres negras na construção das políticas públicas.

Deborah Prado Medeiros

Oficial de Marinha, Capitão de Fragata da Marinha, atualmente na reserva, graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro. Chefe de Departamento de Saúde da Unidade Integrada de Saúde Mental (2014/2015). Consultora e analista crítica de narrativa para audiovisual e teatro. Pesquisadora independente sobre o impacto do racismo nos processos de subjetivação dos brasileiros. Psicoterapeuta atendendo, em consultório particular, uma clientela majoritariamente negra. Premiações Medalha Lélia Gonzalez Pela relevante participação na luta pela defesa da igualdade racial e direitos humanos, outorgada pela Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, 25 de julho de 2026 Prêmio Maria Felipa- Mulheres negras no combate ao racismo e na luta por direitos - Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, Bahia, 2019 Prêmio Influenciadores Sociais Contra o Racismo Secretaria de Direitos Humanos/Prefeitura – Rio de Janeiro, 2018 Créditos no audiovisual/teatro Séries: Anderson Spider Silva (Paramount) – Diretora de Diversidade e Inclusão Amar É para os Fortes (Amazon) – Psicóloga Filme: Barba, Cabelo e Bigode (Netflix) – Psicóloga Teatro: Consultora de Representações Raciais e de Gênero Musical Vozes Negras: Força do Canto Feminino Musical Tom Jobim Elvis – A Musical Revolution Para Meu Amigo Branco Oboró – Masculinidades Negras Musical Rio Uphill

Rogerio Luiz Ferreira da Silva - Rogerio Família

Sambista carioca de “pé, mão e gogó”, já se apresentou em vários locais, dentro e fora do Brasil – Rio de Janeiro, São Paulo, Uberlândia, Pernambuco, Brasília, Rio Grande do Sul, Angola, África do Sul, Moçambique, Argentina. Acompanhou grandes nomes da música, como instrumentista, cantor e dançarino. Para citar alguns nomes: Monarco, Beth Carvalho, Almir Guineto, Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Leci Brandão Wilson das Neves, Teresa Cristina. Integrou e produziu eventos, shows e rodas de samba com destaque para Roda de Samba da Pedra do Sal, Samba na Minha Casa, Grupo Autonomia, Terreiro de Crioulo, Pagode da Joaquim Silva, Candiá – O Encontro (Leci Brandão, Juninho Thybau e Jongo da Serrinha)! Como compositor, teve suas obras gravadas por Luciano Bom Cabelo, T. Kaçula, Dora Rosa, Terreiro de Crioulo, Samba na Veia e Grupo Autonomia, Nego Álvaro, Paulo Henrique Mocidade, dentre outros artistas. Fundou coletivos como Movimento Cultural Samba na Veia, Projeto Cultural Terreiros do Brasil e Rede Carioca de Rodas de Samba e, a partir desse último coletivo, ajudou na construção dos Decretos Municipais nº 41036/2015 e nº 43423/2017 (município do Rio de Janeiro), além da Lei Municipal Nº 6281/2017 e da Lei Estadual Nº 8076/2018 (estado do Rio de Janeiro). Tais assentamentos tratam de fomento, difusão, salvaguarda, promoção de produção das Rodas de Samba na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente é sócio e co-fundador do Poeira Pura onde já fez shows e Rodas de Samba em vários estados das regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil! Cientista Social, professor convidado no IMS/UERJ, candomblecista, iniciado em Ifá e nestes mais de 34 anos de práticas e pesquisas no Samba, dialoga, a partir das expressões culturais de matrizes africanas, usando as Rodas de Samba com base de sua argumentação!

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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil  com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.

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