O Encontro Formativo em Letramento Racial constitui um espaço de formação crítica, produção coletiva de conhecimento e fortalecimento das políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Realizado no Leão Etíope do Méier, reconhece esse território como um patrimônio vivo da memória negra carioca, onde cultura, ancestralidade, organização comunitária e produção intelectual se entrelaçam na construção de uma sociedade mais democrática.
Ao reunir representantes do poder público, universidades, movimentos sociais, coletivos culturais e lideranças negras, o encontro promove o diálogo entre diferentes formas de conhecimento, valorizando as epistemologias afro-brasileiras como fundamentos para o enfrentamento do racismo estrutural, do apagamento histórico e das desigualdades raciais.
A participação de Nei Lopes representa a afirmação da produção intelectual negra como patrimônio nacional. Sua obra evidencia que literatura, música, história, oralidade e pesquisa constituem instrumentos fundamentais para preservar a memória coletiva, fortalecer identidades e inspirar políticas públicas comprometidas com a justiça racial.
Mais do que um encontro formativo, esta iniciativa reafirma o compromisso institucional com a educação para as relações étnico-raciais, com a valorização dos territórios culturais negros e com a construção de uma agenda permanente de memória, reparação e participação social.
Spirito Santo (Antonio Jose do Espirito Santo) e intelectual, artesão, musico e pesquisador. Compositor e criador do Grupo Vissungo, especializado em música afro-brasileira e artesanato musical, criou a trilha sonora do filme “Chico Rey,” de Walter Lima Junior e a música de cena em “Natal da Portela,” de Paulo Cesar Sarraceni, entre outros. Gravou discos com Milton Nascimento, Wagner Tiso, Tete Espindola e Clementina de Jesus. Trabalhou como musico e professor em Viena, Austria, entre 1989 e 1993, aprofundando estudos sobre musica africana e participando de espetaculos, shows e concertos em diversos paises da Europa. Desenvolveu na UERJ o curso de extensao que deu origem ao Projeto Musikfabrik. Ex-preso político, utilizou a indenização recebida do governo brasileiro para desenvolver o projeto de seu livro. Não ler Do Samba ao Funk do Jordão é um caso tão grave quanto o de não gostar de cerveja gelada, panceta pururuca e roda de samba.
Raquel Barreto é historiadora, formada pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em História Social da Cultura, pela PUC-Rio, especialista em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais, pela UCAM, e em Literatura Contemporânea Hispano-americana, pela UNAM/México, e doutora pela UFF. Lecionou na UNAM (México) e na Universidad del Claustro de Sor Juana (México). É pesquisadora especializada no trabalho das autoras Angela Y. Davis e Lélia Gonzalez, tendo escrito a dissertação Enegrecendo o feminismo ou feminizando a raça: Narrativas de libertação em Angela Davis e Lélia Gonzaléz. No doutorado, desenvolveu uma pesquisa a respeito do Partido dos Panteras Negras e as relações entre visualidade, política e poder. Em 2017, colaborou com a exposição Todo Poder ao Povo – Emory Douglas e os Panteras Negras, no Sesc/Pinheiros, em São Paulo. Em 2018, participou do projeto de publicação independente dos livros de Lélia González e Beatriz Nascimento, produzidos pela UCPA (União dos Coletivos Pan Afrikanos). É autora de artigos publicados em revistas de circulação nacional, como a Revista Cult e o Suplemento Literário de Pernambuco. Participou também do livro monográfico Arjan Martins, publicado pela editora Cobogó em 2021.
Nei Braz Lopes nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no subúrbio de Irajá, em 9 de maio de 1942, filho de Eurídice e de Luiz Braz Lopes. Bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, em 1966. É advogado, compositor, escritor, poeta, contista, sambista, pesquisador da cultura afro-brasileira e teatrólogo. Teve seus poemas publicados em vários jornais, tais como: Tribuna da Imprensa, Jornal do Comércio, Correio da Manhã e na Revista Civilização Brasileira. Recém-formado, abandonou a carreira de advogado, profissão que o angustiava, conforme depoimento a Haroldo Costa (1982), o autor via na “advocacia uma atividade sufocante pelo formalismo a que esta profissão obrigava e pelo embranquecimento para o qual lhe empurrava”, passando a dedicar-se à música e à literatura. Músico desde 1972 é reconhecido nacionalmente pela parceria estabelecida com Wilson Moreira – renomado sambista brasileiro e por ter suas músicas gravadas pelos grandes interpretes do samba nacional. Foi um dos precursores do pagode fundo de quintal – tendência que deu ao samba uma nova roupagem. Em declaração a Eduardo de Oliveira (1999), o autor menciona a importância reivindicatória dos sambas que compôs: hoje em dia, por exemplo, quando eu participo do grêmio recreativo de Arte Negra Quilombo e particularmente através dos sambas enredos de minha autoria e do Wilson Moreira com os quais nós desfilamos nos carnavais de 1978 e 1979, eu concluí que ali está tendo uma tribuna enorme, imensa, na avenida e no fato de gravar os sambas, sempre de forte conotação reivindicatória. Além de músico e compositor, Nei Lopes é autor de uma obra constituída por contos, crônicas e poesias, que geralmente gira em torno da temática afro-brasileira. Militante da causa afro-descendente, desde os anos 70, foi chefe de gabinete e superintendente de Promoção Social na Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras do Governo do Rio de Janeiro, no início dos anos 90 e, mais tarde, assessor da presidência da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura. Como militante e poeta, o autor faz da sua poesia uma tentativa de conscientização da população negra. Sua condição existencial perpassa a sua obra, como manifestação de uma consciência crítica de quem não se identifica diretamente com a África – berço de seus ancestrais – mas com a periferia dos grandes centros urbanos brasileiros, onde os negros encontram-se inseridos. Segundo o crítico inglês David Brookshaw (1983), ao tratar da questão da consciência do eu-lírico em Nei Lopes, declara: a consciência negra de Nei Lopes faz parte de um ‘tropicalismo’ mais amplo, uma espécie de glorificação da cor, da vitalidade e da irreverência sensual da cultura brasileira . Para Lopes, as qualidades afro-brasileiras opõem-se à limitação da conduta social da burguesia branca, simbolizada pela gravata que sufoca e estrangula, pelo ritmo agressivo do branco que manipula e escraviza o negro, obrigando-a a acompanhar o ritmo dos interesses econômicos do branco.
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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.