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2º Encontro de Letramento Racial

A Marcha de Stonewall: De Craig Rodwell, Madame Satã a Jorge Lafond — O Apagamento de Lideranças Pretas LGBT

Nos reunimos aqui com uma missão urgente: resgatar a nossa história para proteger o nosso futuro. O tema central deste ano é: “A Marcha de Stonewall: De Craig Rodwell, Madame Satã a Jorge Lafond — O Apagamento de Lideranças Pretas LGBT”. Muitas vezes, a história oficial nos diz que o movimento LGBT começou em Nova Iorque, em Stonewall. Lá, o ativista Craig Rodwell entendeu que era preciso criar uma marcha anual. O objetivo dele era simples: não deixar o mundo esquecer a nossa força e a nossa memória. Mas quando olhamos para o Brasil, e especialmente para o Rio de Janeiro, percebemos um grave apagamento. A nossa resistência sempre teve cor. Ela sempre foi preta. No entanto, o racismo tentou apagar o valor político dos nossos maiores ícones. Transformaram Madame Satã, uma das maiores forças de resistência da Lapa, apenas em um “malandro perigoso”. Transformaram Jorge Lafond, que abriu portas gigantescas na televisão brasileira, apenas em um “personagem de humor caricato”. A história oficial roubou deles o título de líderes políticos.Esse apagamento não ficou no passado. 

O racismo e a LGBTfobia continuam operando hoje. Eles decidem quem tem acesso ao mercado de trabalho, quem recebe verba pública e quem é lembrado. É por isso que este Encontro das Cores não é apenas um espaço de fala. É um espaço de ação pedagógica e política.

Mesa 1 — MEMÓRIA — De Stonewall à Lapa, Quem Escreve a História?

Lorena Alleyne Vannelle

Graduada em História, Biblioteconomia e Serviço Social, com especialização em Formação de Leitores e mestrado em Memória Social, é doutoranda em Políticas Públicas e Formação Humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atua na Coordenação-Geral de Memória e Verdade da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Pessoas Escravizadas (CGMET), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, desenvolvendo ações e políticas públicas voltadas à memória da escravidão, à reparação histórica e à promoção da equidade racial.

Rose Baiana

Baiana Rose (Roseane de Assis Trindade) é empreendedora cultural, gastrônoma popular, produtora de eventos e ativista comunitária. Nascida em Itapuã, Salvador (BA), construiu sua trajetória a partir da tradição das baianas e há mais de 30 anos mantém viva a cultura do acarajé no Rio de Janeiro. Reconhecida por unir gastronomia, arte, ancestralidade e ação social, participou da segunda edição do Guia Carioca de Gastronomia de Rua, representando a Ilha do Governador com sua culinária típica baiana. Também integrou a programação das Olimpíadas Rio 2016, atuando no Píer Mauá e participando de atividades no MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Conquistou um Quisoque na Ilha do Governador e é fundadora do Ponto de Cultura Ounje Mimo, um importante espaço para artistas, movimentos culturais, ações de valorização da cultura afro-brasileira, eventos LGBTQIAPN+, rodas de samba, saraus, exposições e atividades comunitárias. Em 2021, estabeleceu união estável com Marivane Silva Barros, a Vaninha, companheira de vida e parceira na construção dos projetos culturais, comunitários e gastronômicos que hoje integram o universo do Quiosque e do Ponto de Cultura Ounje Mimo.

Daniela Pacu

Daniela Pucu, 62 anos, é moradora da Ilha do Governador, contabilista, ex-bancária, massoterapeuta, shiatsuterapeuta e psicanalista em formação. Escritora, compositora, cantora e instrumentista, conquistou por dois anos consecutivos o prêmio de Melhor Intérprete em festivais nacionais de música realizados em Curitiba pelo extinto Banco Bamerindus. Na mesa Memória LGBT, compartilha experiências de uma geração que viveu a descoberta da própria identidade em tempos de silêncio, resistência e transformação social.

Mesa 2: REPARAÇÃO — Racismo, Estereótipo e o Mercado de Trabalho

Byron Teixeira

Byron Teixeira é um ativista social e militante dos direitos LGBTQIA+ da Ilha do Governador. Nascido e criado na comunidade do Itacolomi, tornou-se conhecido por fundar a organização comunitária Encontro das Cores, criada em 2018 para oferecer acolhimento, apoio social e promover ações de combate à LGBTfobia. Também foi um dos idealizadores da primeira Parada do Orgulho LGBTQIA+ da Ilha do Governador, iniciativa voltada à visibilidade, inclusão e fortalecimento da comunidade local.

Adrianno Silva / Dricca Brasil

Drag Queen, DJ e performer de 27 anos, residente da Zona Norte do Rio de Janeiro. CEO de um ateliê de figurinos, artista independente e idealizador da Festa Ébano, projeto voltado à valorização e celebração da cultura preta. Vencedora da 2ª edição do TikTok Drag Sync e da 10ª edição do DragStar, constrói sua trajetória unindo criatividade, performance, produção cultural e entretenimento, destacando-se pela presença de palco, versatilidade e protagonismo na cena artística.

Naomih Leon

Artista Drag e performer da cena carioca. Professor da educação básica de ciências e Biologia da rede privada

Mesa 3 — POLÍTICAS PÚBLICAS DE IGUALDADE RACIAL: Cotas e Editais de Incentivo

Denise Taynah Santos França

Mulher trans,negra, 77 anos, Coordenadora/Liderança do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros no estado do Rio de Janeiro. Secretária Executiva do Conselho Estadual LGBT - RJ

Paloma Rodrigues Moreira

Sua trajetória articula pesquisa acadêmica, gestão pública e atuação junto a movimentos sociais, instituições culturais e comunidades detentoras de saberes tradicionais, com especial interesse nas relações étnico-raciais, na educação antirracista e na valorização das epistemologias africanas e afro-brasileiras. Dedica-se ao estudo das formas de produção, transmissão e legitimação dos saberes negros e de suas contribuições para a formação humana, a educação e a construção de sociedades mais equitativas.

Letícia Pinheiro

Letícia Pinheiro é assistente social, mestre em Serviço Social pela UERJ e agente de Serviço Social da Casa da Igualdade Racial do Rio de Janeiro. Atua na promoção dos direitos humanos, da equidade racial e da cidadania de populações historicamente vulnerabilizadas, com experiência em articulação comunitária como diretora do Fala Akari, incidência política e fortalecimento de redes de proteção social.

Aron Giovanni Alves de Oliveira

Coordenador de Democracia e Justiça no Instituto Marielle Franco

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Realizado por meio de um convênio entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e a FUNTEC. A execução operacional das metas detalhadas nos documentos cabe ao Instituto Usina Social (IUS), uma organização da sociedade civil  com vasta experiência em políticas públicas culturais e mobilização social.

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